DH 575
1 - DESCRIÇÃO DOS REVESTIMENTOS
1.1 - Descrição geral
A membrana POLYSTER R50 V é fabricada pela firma IMPERALUM
- Sociedade Comercial de Revestimentos e Impermeabilizações, S.A., com sede e
fábrica em Pau Queimado - Montijo, e destina-se a ser aplicada em sistemas de
impermeabilização de tabuleiros de pontes rodoviárias e ferroviárias,
constituindo sistemas de camada Única.
A membrana, de cor preta, é
constituída por betumes-polímeros contendo resinas polipropilénicas com base em
polipropileno atático (APP) e integrando armaduras não-tecidas de poliester e
de fibras de vidro.
A membrana é fabricada em
peças de 1,0 m de largura e 8 m de comprimento.
A massa e a espessura
nominal da membrana POLYSTER R50 V são de respectivamente 5,0 kg/m²
e 5,0 mm.
Esta membrana é acabada na
face inferior com folhas de polietileno ou areia fina e na face superior com
areia fina.
Pode
ainda ser utilizado neste sistema de impermeabilização o primário betuminoso
IMPERKOTE-R.
1.2 - Natureza e constituintes
1.2- 1 - Membranas de betume-polimero
As
peças de revestimentos de impermeabilização são obtidas por recobrimento das
duas faces das respectivas armaduras - poliester de 250g/m² e de fibra de vidro
de 50 g/m²- com uma mistura contendo basicamente betume de destilação directa,
de resinas polipropilénicas e de cargas minerais de carbonato de cálcio e
endurecedor.
1.2.2 - Outros materiais
1.2.2.1 - Primário betuminoso IMPERKOTE-R
O
produto IMPERKOTE-R é um primário utilizado na impregnação superficial dos
suportes de betão ou argamassa. É constituído por betumes insuflados, resinas e
solventes orgânicos.
1.2.2.2 - Produtos diversos
A dessolidarização do
sistema de impermeabilização relativamente a algumas camadas protecção
sobrejacente pode ser realizada pela aplicação de mantas de geotêxtil, com base
em polipropileno, com pelo menos 350 g/m² de massa. 2- CAMPO DE APLICAÇÃO A
membrana POLYSTER R50 V é vocacionada para aplicação em
sistemas de impermeabilização de tabuleiros de betão de pontes rodoviárias e
ferroviárias. Este revestimento deve ser aplicado apenas em sistema aderente.
Apresentam-se ainda seguidamente algumas exigências
complementares a ter em conta:
- o revestimento não deve ser
aplicado em principio sobre suportes com pendente inferior a 2% ou superior a
12%;
- sobre o revestimento deve ser sempre aplicada uma protecção pesada, acabada
superiormente com uma camada de circulação, de composição distinta consoante o
tipo de ponte seja rodoviária ou ferroviária.
3-FABRICO
As instalações de fabrico,
cujas condições técnicas de exploração foram analisadas no âmbito desta
homologação, situam-se em Pau-Queimado - Montijo e ocupam uma área total de
cerca de 15500 m², dos quais 5500 m² correspondem aproximadamente à área
coberta.
O equipamento disponível
permite também o fabrico de telas e feltros betuminosos tradicionais.
Para o fabrico do
revestimento POLYSTER R50 V a firma IMPERALUM dispõe dum
sistema de controlo de qualidade, segundo as normas ISO 9001, que incide sobre
as matérias-primas, sobre os produtos semiacabados e acabados.
Esse controlo de qualidade,
assegurado pela firma, Inclui a manutenção dos registos dos resultados dos
ensaios efectuados e é objecto de verificações exteriores periódicas.
Os rolos da membrana POLYSTER R50 V são armazenados em conjuntos de
vinte e cinco, em posição vertical, cobertos por uma protecção retráctil.
As
condições de fabrico dos revestimentos e o respectivo controlo interno de
qualidade foram apreciados pelo LNEC, tendo-se concluído que são satisfatórios.
4 - APRESENTAÇÃO COMERCIAL
As membranas de
betume-polimero POLYTER R50 V é comercializada em rolos com 1,0 m de largura e
8 m de comprimento (vd. 1.1). Cada rolo leva uma etiqueta com a seguinte
informação: nome e endereço da firma produtora, designação comercial e
referência do produto, comprimento e largura da peça, e massa por unidade de
superfície.
O
primário IMPERKOTE-R é comercializado em embalagens metálica de 20 kg. Cada
lata do primário IMPERKOTE-R contém a seguinte informação: nome e endereço da
firma produtora, designação comercial do produto, referência à composição e ao
seu campo de aplicação.
5- APLICAÇÃO EM OBRA
5.1- Recomendações de carácter geral
A superfície do tabuleiro
deve resultar o mais regular possível, de modo a evitar a execução de camadas
complementares de nivelamento ou de regularização.
O revestimento de impermeabilização
de camada única, constituído pela membrana POLYSTER R50 V l é aplicado em sistemas
totalmente aderentes ao suporte.
A
membrana não deve ser aplicada sobre suportes com manchas de óleos ou de
produtos com base em solventes orgânicos.
5.2 - Condições atmosféricas
A membrana POLYSTER R50 V deve ser manuseada com cuidado,
sobretudo quando a temperatura do ar for inferior a 5ºC.
A
sua aplicação não deve fazer-se em tempo de chuva, de neve ou de nevoeiro
intenso, nem quando a temperatura do ar for inferior a 0ºC.
5.3 - Condições a satisfazer pelos suportes
O revestimento deve ser
aplicado sobre suportes secos, limpos e planos: as reentrâncias devem limitar-se
a valores inferiores a 3 mm (para uma base de medida de 100 mm). Os suportes
devem ainda apresentar-se isentos de asperezas e ressaltos que possam danificar
o revestimento de impermeabilização sobrejacente; estas saliências não devem
ser superiores a 2 mm.
A remoção das saliências
superiores a 2 mm deve ser feita por aplainamento, com equipamento apropriado,
sem reduzir significativamente a resistência superficial do betão.
As reentrâncias podem ser
preenchidas com argamassas de ligantes hidráulicos modificados com polímeros ou
de ligantes resinosos reactivos (as principais resinas usadas são as
epoxídicas, as de poliuretano e as acrílicas). No preenchimento das
reentrâncias não devem portanto ser utilizadas argamassas correntes com base
apenas em ligantes hidráulicos.
A pendente do tabuleiro deve
preferivelmente ser definida através da sua estrutura resistente (laje) e ter
os valores indicados em 2. Quando tal não aconteça, essa pendente será
conseguida com a camada de protecção pesada colocada sobre a impermeabilização.
Antes
da aplicação da membrana, a concordância da superfície da zona corrente do
tabuleiro com os paramentos verticais deve ser arredondada ou chanfrada de
forma a permitir um ajustamento contínuo da membrana, sem dobragem em ângulo.
5.4 - Processo de aplicação
5.4.1 - Colocação dos rolos
Os
rolos devem ser desenrolados sem ficarem sujeitos a tensões, e alinhados sobre
o suporte de modo a que a largura de sobreposição dos mesmos nas juntas
longitudinais e transversais não seja inferior a 0,10 m.
5.4.2 - Ligação das membranas
a) Ligação das membranas nas juntas
A
ligação entre membranas faz-se ao longo das juntas de sobreposição referidas em
5.4.1, em toda a sua largura, e unicamente por soldadura por meio de chama, não
sendo permitida a utilização de betumes, colas adesivos, etc.
A soldadura deve ser feita
de forma que reflua pelo bordo das juntas de sobreposição longitudinais ou
transversais uma pequena quantidade de betume fundido resultante do seu
aquecimento.
O
bordo da membrana colocada pelo lado superior as juntas deve ser biselado com a
ponta duma colher de pedreiro ou uma espátula metálica aquecida.
b) Ligação das membranas das duas camadas
A
ligação das membranas entre si - em superfície corrente ou nos remates - é
feita unicamente por soldadura por meio de chama.
5.4.3 - Aplicação do revestimento em aderência total
5.4.3.1 - Generalidades
Devido
à necessidade duma protecção pesada, a aplicação da membrana POLYSTER R50 V em sistemas aderentes apenas é
admissível em tabuleiros com pendentes não superiores a 12%. A pendente mínima
na zona corrente deve ser de 2%.
5.4.3.2 - Preparação dos suportes
Sobre
o suporte de betão ou argamassa, realizado nas condições indicadas em 5.3,
aplica-se uma camada de primário IMPERKOTE-R, à razão de 300 g/m². Recomenda-se
que este primário só seja aplicado, pelo menos, três semanas após a colocação
do betão da laje ou dos produtos de regularização; a sua aplicação nunca deve
no entanto verificar-se antes de terem decorrido 15 dias após a betonagem ou a
regularização da laje.
5.4.3.3 - Assentamento do revestimento
Sobre o suporte preparado
conforme se descreveu, o assentamento da membrana deve fazer-se por soldadura
por meio de chama, após ter decorrido pelo menos uma hora depois da aplicação
do primário IMPERKOTE-R: este primário deve ainda apresentar-se seco ao tacto.
Esta técnica consiste no
aquecimento da membrana de betume-polimero por meio da chama de um maçarico
apropriado até à fluidificação da sua face inferior, à medida que essa membrana
vai sendo desenrolada sobre o suporte. A aderência total ao suporte é obtida
por pressão exercida sobre a face superior da membrana. Deve garantir-se a
efediva aderência total da membrana POLYSTER R50 V ao suporte de modo a não se
formarem bolsas de ar sob a membrana que venham posteriormente a afectar o seu
comportamento após a aplicação das camadas sobrejacentes de protecção formadas
pelo betão betuminoso (vd. 5.4.6).
Nos
elementos emergentes do tabuleiro a membrana é colada por soldadura por meio de
chama aos seus paramentos verticais, de acordo com o indicado em 5.4.4.
5.4.4
- Remates com elementos emergentes
Os remates do revestimento
nos elementos emergentes são sempre executados com sistemas totalmente
aderentes colados por soldadura por meio de chama, e ainda fixados
mecanicamente se a altura desses remates for superior a 0,40 m.
Na
figura 1 apresentam-se, a título de exemplo, duas soluções alternativas da
ligação do revestimento a um elemento emergente do tabuleiro. Numa delas
(solução A) o remate fica aparente e na outra (solução B) o remate é totalmente
protegido por um reboco armado.
5.4.5 - Juntas de dilatação
A diversidade de
dispositivos utilizados nas juntas de dilatação e as respectivas técnicas de
aplicação obriga a definir para cada caso o pormenor de remate da
impermeabilização da zona corrente do tabuleiro com esses dispositivos.
Esse
remate deve ser executado de forma a não comprometer o comportamento estrutural
das referidas peças e a garantir da forma mais eficiente possível a
estanquidade à água da zona de remate em questão.
5.4.6 - Protecção e camada de circulação (protecção pesada)
Sobre
o sistema de impermeabilização é obrigatória a aplicação duma protecção. Esta
camada só deve ser aplicada após terem decorrido pelo menos 24 horas sobre a
colocação do revestimento de impermeabilização.
A - Remate não-protegido
B - Remate protegido
1 - Mastique
2 - Rufo metálico
3 - Banda de reforço (membrana POLYSTER R50 V ou equivalente)
4 - Membrana POLYSTER R50 V
5 - Primário lMPERKOTE-R
6 - Suporte de betão
7 - Reboco armado
Fig. 1 - Remate da impermeabilização com um elemento emergente do tabuleiro
Essa protecção deve ser
constituída por uma camada de betão betuminoso com 30 mm de espessura nominal;
a dimensão do inerte mais grosso não deve ultrapassar um terço desta espessura,
sendo recomendável limitar a 4 mm essa dimensão.
O betão betuminoso deve ser
aplicado directamente sobre a membrana POLYSTER R50 V a sua compactação deve
realizar-se a temperaturas compreendidas entre 140 ºC e 90 ºC. Devido à maior
dificuldade de execução desta camada de betão betuminoso nas zonas singulares
do tabuleiro (embocaduras de tubos de queda, elementos emergentes, etc.), devem
ser tomados cuidados especiais na realização dos trabalhos nestas zonas,
nomeadamente durante o processo de compactação dessa camada de betão
betuminoso.
Sobre a camada de protecção
é posteriormente aplicada a camada de circulação cuja constituição depende da
utilização do tabuleiro em questão: para ponte rodoviária ou para ponte
ferroviária.
Os
veículos que circulem sobre o revestimento de impermeabilização para aplicação
das camadas de protecção pesada devem dispor de rodados pneumáticos,
preferivelmente lisos, e não devem efectuar manobras bruscas (travagens e
arranques repentinos) nem mudanças de direcção demasiadamente apertadas, em
especial quando a temperatura do ar seja elevada ou baixa.
6 - MANUTENÇÃO DO REVESTIMENTO
Em
caso de anomalia acidental do revestimento, as reparações são efectuadas
utilizando bandas das membranas que constituem o sistema, com dimensões
apropriadas, soldadas a quente - depois de limpa a superfície a soldar - sobre
o revestimento existente ou sobre os bordos do revestimento depois de retirada
a zona afectada.
7-MODALIDADES DE COMERCIALIZAÇÃO E DE ASSISTÊNCIA TÉCNICA
7.1 - Modalidades de comercialização
A
firma IMPERALUM coloca os produtos em venda livre no mercado.
7.2 - Assistência técnica
A
firma IMPERALUM oferece assistência técnica aos utilizadores, antes, durante e
após a aplicação.
8 - ANALISE EXPERIMENTAL
8.1 - Condições dos ensaios
As
membranas necessárias para a realização dos ensaios e determinações foram
colhidas por técnicos do LNEC nas instalações de fabrico da firma produtora.
As
modalidades de ensaio adoptadas são as referidas nos documentos seguintes:
- Guide Technique nº G0002(05) da UBAtc "Feuilles armées à base de
bitume-polymère utilisées comme étanchéité des ponts et toitures-parking. Modes
opératoires" (UBAtc, 1995).
- Directivas UEAtc - "Directives générales UEAtc pour l'agrément des
revêtements d'étanchéité de toitures" (UEAtc, 1982).
- Directivas UEAtc - "Directives particulières UEAtc pour l'agrément des
revêtements d'étanchéité en bitume polymère APP (polypropylene atactique)
armés" (UEAtc, 1984).
8.2 - Resultados dos ensaios
No âmbito da presente
homologação foram realizados no LNEC ensaios de identificação da membrana POLYSTER R50 V e da betuminosa e das armaduras
que a integram e ensaios de comportamento da membrana e do sistema por ela
formado.
Os
resultados dos ensaios efectuados foram globalmente satisfatórios. Esses
resultados e a respectiva apreciação constam do relatório do LNEC
"Homologação com certificação do sistema de impermeabilização de
tabuleiros de pontes POLYSTER R50 V, de Janeiro de 2000.
9 - CONCLUSÕES DAS VISITAS A OBRAS EM USO
Devido
ao reduzido número de obras que foi possível visitar e ao curto período de
utilização a que as mesmas estão sujeitas (apenas uma tem três anos de uso),
não é possível ao LNEC formular uma previsão do comportamento do revestimento
em questão, relacionada com a prática da sua utilização em Portugal. Contudo,
nas situações indicadas no presente Documento de Homologação, e de acordo com
as prescrições nele contidas, pode estimar-se uma durabilidade não inferior a
10 anos, conforme preconizam as Directivas Gerais UEAtc indicadas em 8.1.
10 - CONDIÇÕES DE EMPREGO
10.1 - Recomendações de segurança e higiene
Durante e após a aplicação
do revestimento de impermeabilização, deve evitar-se a utilização ou o
manuseamento de certas substâncias químicas, nomeadamente gasolina, petróleo,
solventes orgânicos e produtos oxidantes concentrados.
O manuseamento dos produtos
auxiliares de colagem ou de acabamento deve ser efectuado utilizando
equipamento individual de protecção adequada, nomeadamente luvas e fatos de
trabalhos.
Deve
ainda evitar-se a utilização de equipamento ou materiais com arestas cortantes
ou ponteagudas sobre as membranas de impermeabilização.
10.2 - Constância de qualidade
A homologação com
certificação comporta um controlo interno da qualidade da produção da membrana POLYSTER R50 V, da responsabilidade da firma
IMPERALUM, incidindo sobre matérias-primas e produtos acabados, e um controlo
externo periódico dessa mesma produção, que verifica e avaliza aquele controlo
interno mediante visitas casuais às instalações de fabrico e realização de
ensaios sobre produtos colhidos aquando dessas visitas.
O
Laboratório Nacional de Engenharia Civil reserva-se o direito de cancelar a
presente homologação se constatar por esse controlo externo que as condições de
fabrico não asseguram a indispensável constância de qualidade ou que a firma
não efectua o controlo interno nos moldes aprovados pelo LNEC.
10.3 - Ensaios de recepção
Os produtos que beneficiam
de uma homologação com certificação podem em regra ser dispensados da
realização de ensaios de recepção em obra.
Estes só se justificam a
título excepcional em caso de dúvida sobre a identidade das membranas caso de
dúvida sobre a identidade das membranas fornecidas relativamente às que foram
objecto de homologação, cabendo às fiscalizações decidir da necessidade da sua
execução.
Os
ensaios em causa devem permitir verificar que as características das membranas
referidas no quadro 1 se enquadram dentro dos intervalos de tolerância ai
especificados.
QUADRO 1
Tolerâncias admissíveis para os valores médios
das características das membranas
11 - REFERÊNCIAS
A firma IMPERALUM -
Sociedade Comercial de Revestimentos e Impermeabilizações, S.A. tem vindo a
fabricar, desde há cerca de 15 anos, membranas de betume-polimero, embora
somente a partir do primeiro trimestre de 1996 se tenha iniciado o fabrico da
membrana POLYSTER R50 V.
Segundo
dados fornecidos pela firma, indicam-se seguidamente algumas obras mais
significativas onde foi aplicado o revestimento POLYSTER R50 V e as quais corresponde uma área
total de revestimentos de cerca de 48500 m²:
- Viaduto ferroviário do Pragal;
- Viaduto ferroviário de Corroios;
- Apeadeiro da Reboleira;
- Viaduto do Fogueteiro.
QUADRO 1
Tolerâncias admissíveis para os valores médios
das características das membranas
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Ensaios |
Valores
|
|
Espessura (mm) |
5,00
± 0,20 |